O poder transformador do “eu também…”

Eu já fui rebelde, já tive hemoglobina glicada de 14, já fiquei internada algumas vezes. Já perdi a razão, perdi a conta, perdi o rumo. Já dei trabalho, já testei meus limites e já contei sobre qual é a pior parte do diabetes para mim. “Eu já” inúmeras coisas, mas não consigo me lembrar de ter escrito sobre o poder transformador do “eu também…”.

Diabetes quase nunca é tema da conversa no bar, pauta do almoço, motivo do reencontro. Mas deveria ser: só não conversa sobre a condição quem não conhece a mágica, o poder, o conforto de ouvir um “eu também…”. Encontrar pessoas com diabetes tipo 1, como eu, foi (e continua sendo!) parte fundamental do meu tratamento: dividir os mesmos medos, as mesmas inseguranças, faz com que a gente se sinta mais forte, mais conectado.

Eleger um “anjo da guarda”, uma pessoa confiável, com quem você se sinta a vontade para dividir os sentimentos em relação à doença, pode melhorar a disciplina em relação ao tratamento e ajudar, muito, no controle glicêmico. Juntos, podemos ganhar força das nossas fraquezas. E se é verdade que doenças e emoções andam de mãos dadas, é bom ter alguém por perto para compartilhar as experiências.

Para mim, foi muito mais fácil aceitar a condição e começar, de fato, a me cuidar, quando comecei a ouvir “eu também”. Conhecer pessoas na mesma situação mostra que não estou sozinha, mostra alternativas quando eu acho que não aguento mais, mostra o caminho quando acho que não tem saída. “Eu também” faz com que eu acredite que vale a pena expor minha doença nas redes sociais.

Se você ainda não conhece esse poder mágico e transformador, sugiro que comece agora mesmo. Se ainda não conhece ninguém nas mesmas condições, associações podem ser o ponto de partida. Redes sociais e blogs também são ótimos lugares para trocar experiências. E eu estou aqui se quiser conversar!

Diabetes

Queria que vocês soubessem que, tão importante quanto a insulina, é o “eu também” de vocês: Tainá, Melissa, Mark, Ju, Luana, Kath, Bianca, Aline, Nicole, Pedro, Sheila, Claudia, Audrey, Natalia, Arthur, Marina, Bia, Bruna, Valeria, Ronaldo, Fred, e muitos outros mais: MUITO OBRIGADA por compartilharem. Estamos juntos!

FreeStyle Libre: sistema flash de monitoramento de glicose

Provavelmente você leu, recentemente, algo sobre o Freestyle Libre, o sistema flash de monitoramento de glicose: eles acabam de lançar o site em português e tudo indica que o aparelho será vendido em breve aqui no Brasil. Além de algumas informações básicas, também é possível preencher um cadastro de interesse de compra e ser avisado das novidades.

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Mas, afinal, o que é o sistema de monitoramento flash de glicose?

Uma nova maneira de medir a glicemia, sem lancetas! O sistema consiste de um sensor aplicado no braço – que mede de forma contínua e armazena os dados, e um leitor – que mostra as informações quando scaneado no sensor.

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Quer dizer que nunca mais terei que furar o dedo para medir a glicemia?

Ainda não é bem assim. De acordo com a Abbott, o produto é indicado para medir níveis da glicose no fluído intersticial em adultos com 18 anos ou mais e a ponta de dedo ainda é necessária para conferir as leituras do Sistema Flash durante períodos de rápida alteração nos níveis (a glicose do fluído intersticial pode não refletir com precisão o nível da glicose no sangue); para confirmar uma hipoglicemia ou uma iminente hipoglicemia registrada pelo sensor; quando os sintomas não corresponderem as leituras do sistema.

Nunca usei o Libre, mas não vejo a hora de experimentar. Só não vale confundir monitorização contínua de glicose (CGM) com sistema flash de monitoramento, tá? Vou contar as diferenças em um post em breve!

Quem ama, educa.

“Educar uma criança é também ensiná-la a administrar o seu tempo para cada atividade. Fazer algo, mesmo de que não goste, ou seja, fazer por obrigação, por dever, é algo que a criança precisa também aprender.” (Içami Tiba – Quem Ama Educa)

E assim é com o Diabetes, doença que requer atenção, cuidados e tempo. Com a Caroline foi uma batalha. Como contamos no post Adolescência Rebelde, a batalha foi vencida no dia a dia: com muita paciência e variadas estratégias de negociação.

“Quem ama, educa!” E educar é uma tarefa diária, as vezes cansativa, mas milagrosa… Uma hora a criança vai aprender a se cuidar, a zelar por si. Entender que interromper uma atividade, até mesmo uma brincadeira, para medir sua glicemia, tomar insulina ou qualquer outra medida em prol da sua saúde, não é perda de tempo e sim ganho de vida!

Um recado pra ti, Bella Maia.

Passei dias pensando no que te escrever, Bella. Li, por acaso, a nota no G1 de quando você foi internada com cetoacidose e teu depoimento me fez refletir e lembrar de sentimentos do passado: não nos conhecemos, mas temos algo em comum – o diagnóstico de diabetes.

“Estou aprendendo a lidar com a doença, num processo de aceitação. Fui diagnosticada há três anos. Sou uma pessoa muito livre e essa doença me aprisiona, veio para me colocar limites. Tenho aprendido com ela, que é muito maior que eu. Tenho que acolher essa doença, mas sinto que minha vontade de viver é maior que meu corpo”, conta. Por causa da doença, Bella Maia precisa administrar insulina três vezes por dia.

Fui diagnosticada com 14 anos e também passei por todas as fases do luto (primeiro a negação, depois a raiva. Quando isso passa, chega a fase da negociação, depressão e a tão esperada – e necessária – aceitação). Bella, o diabetes não te aprisiona, não te coloca limites. Nunca, em hipótese alguma, acredite que a doença é maior que você! Como disse Sêneca, faz parte da cura o desejo de ser curado: que tua vontade de viver – e viver bem, com saúde, te mostrem que o diabetes (eu sei, é um saco!) está longe de limitar teus sonhos.

Novembro é o mês mundial do Diabetes e eu, de coração, espero que você esteja bem: espero que encontre força para superar o diagnóstico, encontre motivação para o cuidado diário e conte com o apoio das pessoas ao teu redor. Só fala de doença silenciosa quem nunca prestou atenção no barulho constante que o diabetes faz: não tenha vergonha de pedir ajuda!

Espero que essa mensagem chegue até você e que você acredite em mim: o diabetes é só uma parte de ti. Aos poucos (e sempre!), estou aprendendo a me cuidar, a pensar em mim, a me priorizar. Aos poucos também percebo que dá pra balancear, que encontrar o meio termo é viável. Espero que você sinta o mesmo! Não é preciso aceitar a morte da espontaneidade.

Te cuida, Bella. E se eu puder ajudar em algo, conte comigo.

 

POST ATUALIZADO:

Obrigada pela força, gente. A Bella leu o post e respondeu! Saúde! S2

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