Eu não conseguiria fazer isso…

Uma conversa que tive recentemente com um, até então, desconhecido, ficou martelando na minha cabeça por diversos dias. Não foi a primeira vez que, ao contar que tenho diabetes, ouvi como resposta: “Eu não conseguiria fazer isso… Eu tenho medo de agulhas, jamais conseguiria me furar/injetar todos os dias.”

Não conseguiria? Sinto muito, mas isso não é uma opção. Se você tivesse, assim como eu, diabetes tipo 1, medir a glicemia e aplicar insulina seria uma questão de sobrevivência, não de escolha. Sim, você faria: ainda não existe outra opção. Pelos meus cálculos, aproximados, já furei meus dedos para medir a glicemia mais de 21.900 vezes; já apliquei insulina (ou insumos da bomba) mais de 11.500 vezes. Não vou falar de valores financeiros, pois só de pensar na conta já me dá dor de barriga. Mas sabe de uma coisa? Isso não é tudo. Na verdade, é apenas uma pequena amostra do que significa, para mim, ter diabetes.

A pior parte não é a necessidade de injeções ou de diversas picadas no dedo diariamente. A pior parte não são os episódios de mal estar ou a análise de dados coletados pela bomba de insulina. A pior parte não é o planejamento financeiro ou a contagem de carboidratos em cada refeição. Não são os cuidados diários, não é a parte que você consegue ver. Para mim, a pior parte do diabetes é o tempo que ele toma e como afeta minha confiança e minha autoestima.

É a consequência de tentar tanto, todos os dias, sem uma pausa sequer. A parte mais difícil é fazer tudo igual, do jeito certo, e obter resultados diferentes. A pior parte é saber que, não importa o quanto eu tente, ainda posso ter as complicações relacionadas à doença. É o medo de não dar conta, de não realizar todos os sonhos, de não ter tempo suficiente. A pior parte é a culpa que sinto quando o tratamento dá errado, a insegurança em relação aos sentimentos alheios, a confiança depositada na equipe de apoio. A pior parte é aquela que nem todos conseguem ver…

Stay Strong

… uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.” Clarisse Lispector

email


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/storage/6/21/c5/aotrabalho1/public_html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273