16
Jun
2015

Adolescência rebelde…

“O adolescente rebelde está pedindo amor incondicional. Na verdade, ele não está dando conta do que sente, ele está desesperado. Esse é um amor exigente. Enquanto você está ali dando o seu melhor, ele está jogando pedras. Mas é preciso compreender que esse é o seu material de escola. Você está aprendendo a não se identificar com sua própria criança ferida, a manter sua mente equânime e não aceitar o convite para a guerra. No momento, esse filho é o seu mestre.” Sri Prem Baba

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Acho que é exatamente isso: se você nāo quiser brigar como carneiros, você precisa parar, escutar, recuar e encontrar novas estratégias para ajudar o adolescente a se aceitar (e se cuidar!) com uma doença auto-imune. Neste momento, em meio a crise, você percebe que todos conceitos prontos de como obter resultados adequados não funcionam!

É preciso muita conversa, muita paciência, muita negociação… Sim, negociação! Acreditem: até comprar bons números de glicemia nós compramos! Pagávamos por semana, após conferir os resultados no medidor. Se era uma maneira de conseguirmos saúde para Carol, nós fazíamos. Mas, claro, adolescente em crise não leva seus projetos a longo prazo, então não fomos à bancarrota… hahaha

Quando dinheiro não funcionava mais, números bons viraram passaporte para as saídas nos finais de semana, mas só funcionava conforme a cotação da festa. Bons resultados também foram moeda para uma roupa nova, para o mousse de chocolate ou para aquela viagem de verão com as amigas…

E assim, tudo relacionado ao controles do Diabetes se resumia em pequenas ou grandes negociações. O que até então havia funcionado no dia a dia da educação dos filhos não funcionava com o Diabetes. Queríamos fazer com que ela entendesse que suas ações (nesse caso, a falta de cuidado), além de consequências imediatas, também poderiam trazer complicações a longo prazo. Um diabetes mal cuidado sempre apresenta a conta: uma conta alta, que podia incapacitá-la para os sonhos futuros…

Ajudar a Caroline a vencer a adolescência com Diabetes nos custou muitas preocupações, muitas horas de conversa, muitas lágrimas, muitas negociações, muitas corridas aos hospitais. O desafio foi perceber que os filhos são diferentes, que o que serve para um não necessariamente serve para o outro: aprendemos a ouvir, aprendemos a ceder, a ser flexíveis e discutir questões até então inegociáveis para nós. Percebemos que a tempestade não dura para sempre, assim como a adolescência (ainda bem!). Crescemos como pessoas, como família e amo ver como ela aprendeu a valorizar a vida…

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