6
Sep
2016

[Momento Diabetes] Atitude e protagonismo para o bom controle

Volta e meia o mercado apresenta pesquisas que revelam o cenário do diabetes no Brasil e no mundo. Sempre que leio notícias sobre esse assunto, algo me chama a atenção: o tempo passa, a tecnologia e o tratamento mudam, mas o controle não melhora. E a razão por trás disso talvez seja o protagonismo (a falta dele, no caso) por parte das pessoas com diabetes em relação ao próprio controle. Em vez de atuarem em causa própria e correrem atrás de melhores soluções, os pacientes esperam pelo tratamento milagroso, acostumam-se com resultados medianos e não aprendem a identificar atitudes inadequadas.

Novas tecnologias, medicamentos mais eficazes e programas de educação são importantíssimos e necessários, mas não bastam por si só. A crise da saúde brasileira e os péssimos resultados de controle do diabetes têm exigido de nós mais protagonismo, mais ação, mais pró-atividade.

Nada como viver uma crise – uma complicação, um susto – para sair da zona de conforto e buscar ativamente novas soluções, em vez de apenas esperar que a situação melhore. O mapa da doença divulgado pela IDF (a Federação Internacional do Diabetes) em 2015 aponta que 415 milhões de adultos no mundo têm diabetes. Até 2040, esse número subirá para 642 milhões. O Brasil ocupa o 4º lugar no ranking de países com maior incidência de diabetes no mundo, com cerca de 14 milhões de portadores, e atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. O assustador? Estima-se que apenas 15% tem um bom controle.

O que falta para mudar esse cenário? Como alterar as estatísticas e melhorar o rumo da nossa saúde?

A Momento Diabetes trata exatamente desse assunto e tem como objetivo buscar alternativas. De tentar o novo, de fazer diferente. A informação de qualidade é um ótimo ponto de partida para boa parte de nós e pode render bons frutos. O conteúdo ainda pode ser potencializado pela troca de experiências, que facilita o entendimento e a mudança de hábitos.

As crises são períodos de grande aprendizado, nos deixam mais criativos e resilientes. Nesses momentos, precisamos ter, principalmente, uma atitude positiva em ralação ao nosso controle. Hoje, é isso que te desejo: atitude e protagonismo para que sua saúde não faça parte das estatísticas atuais – mas sim, que seja exemplo de que é possível cuidar e controlar.

 

Revista Momento Diabetes

 




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14
Jun
2016

[ou enquanto durarem os estoques]

Se a gente muda, como poderia o nosso tratamento ser o mesmo? Muitos anos desde o diagnóstico fizeram com que, sempre em parceria com minha equipe de gestão do diabetes, eu mudasse algumas vezes a minha terapia. Fiz uma limpa no material e descobri algumas coisas que já me fizeram muito feliz, mas não me servem mais.

Ainda assim, acredito que  podem ajudar alguém por aí. Tem interesse? Manifeste-se. Conheçe alguém que pode se beneficiar? Compartilhe!

Fitas, Lancetas e Lancetadores

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Glicosímetros

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Canetas para aplicação de insulina

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Estojos, pulseiras e livros

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Se tiver alguma dúvida sobre o material, vamos conversar!




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6
May
2016

Mãe, agora é comigo!

Mãe, sei que não importa quanto tempo passe: a sensação de responsabilidade não passa. Tenho a impressão de que você se sente responsável pela sua vida, pela minha, pela nossa saúde, pela nossa felicidade, pela dos que nos cercam, pela casa, pelo tratamento, pelo cuidado, pelo ambiente, por tudo – inclusive o que está absolutamente fora do seu alcance.

Sei que não adianta eu te dizer que cresci, que sou adulta, sei que você nunca vai aceitar a ideia de que já não está mais no comando. E talvez eu goste disso, mas mãe, preciso contar que me flagrei adulta. Não só por causa do trabalho, das responsabilidades, do começo da vida a dois, das contas e cobranças. Me percebi adulta no dia em que engoli o choro para que você não visse. No dia em que eu disse que estava tudo bem quando o peito estava cheio de fantasmas. No dia que passei mal, corrigi a hipo e aguardei sozinha. No dia em que esperei você virar as costas para poder desmoronar. No dia em que procurei uma nova médica e marquei a consulta.

Por quê? Porque eu sabia que, de um jeito ou de outro, as coisas se ajeitariam. E não ia ser por meio das suas mãos. Então, por que te preocupar? Por que te angustiar mais do que você já se angustia por conta própria?

Mãe, eu parei de depender da sua barriga, parei de depender do seu peito, parei de depender da ajuda no banho, parei de depender da sua carona, parei de depender das cobranças para medir a glicemia e tomar insulina. Mas você nunca parou de se preocupar. Talvez se preocupe ainda mais agora, porque sabe que o voo é cada vez mais alto.

Lembra das inúmeras vezes em que eu chamava “MÃEEEEEEE”, daquele jeito que, de longe, você sabia que era eu? Eu não queria, eu precisava de ti. Precisava do teu colo, do teu abraço, da tua ajuda, do teu cafuné, do teu cheirinho. Precisava, porque sem você não havia chão.

Hoje eu não preciso de ti, mãe. Você já me ensinou a combinar as roupas, a andar olhando pra frente, levantar das quedas, limpar as lágrimas, rir de mim mesmo, medir a glicemia, falar sobre minha condição, me cuidar e seguir em frente. Mais do que me ensinar, você foi exemplo disso. Mãe, o mundo gira sem que você o empurre. E eu me viro sem que você perca o sono. Porque chegamos num ponto da vida em que eu perco o sono ao te ver sem dormir. E essa dinâmica já não faz mais sentido.

O famoso “MÃEEEEEEE” é agora. Agora eu quero você: quero você tranquila, ouvindo minhas histórias, mexendo no meu cabelo, rindo comigo, opinando, discordando. Não de peito apertado. Não suspirando pelos cantos achando que eu não vou encontrar o caminho certo, que eu não vou me cuidar. Eu vou. Você me deu o melhor mapa e a melhor receita.

Agora eu quero nossa relação de parceria, de interdependência daquele jeito saudável. Agora eu quero que você me cuide, e quero te cuidar também.

Meu presente esse ano, na verdade, é quase um pedido. Essa noite, mãe, deita a cabeça no travesseiro sabendo que está tudo bem. Que mesmo no descontrole, você não precisa ficar com os olhos arregalados, olhando para o teto buscando saída. Isso é comigo.

Você criou uma pessoa com o que havia de melhor em ti. Deu o que tinha e o que não tinha para me fazer feliz, saudável e sólida. E eu estou aqui, consciente da minha sorte, saúde e da minha força. Olha pra mim, orgulha-te de mim. Não me iludo achando que vai parar de se preocupar: sei que é impossível. Mas deixa hoje ser eu quem te abraça e te diz baixinho: está tudo bem.

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[Ruth Manus, suas palavras serviram de muita inspiração para esse texto. Algumas adaptações para minha mãe, mãe de diabetes S2)




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22
Mar
2016

O poder transformador do “eu também…”

Eu já fui rebelde, já tive hemoglobina glicada de 14, já fiquei internada algumas vezes. Já perdi a razão, perdi a conta, perdi o rumo. Já dei trabalho, já testei meus limites e já contei sobre qual é a pior parte do diabetes para mim. “Eu já” inúmeras coisas, mas não consigo me lembrar de ter escrito sobre o poder transformador do “eu também…”.

Diabetes quase nunca é tema da conversa no bar, pauta do almoço, motivo do reencontro. Mas deveria ser: só não conversa sobre a condição quem não conhece a mágica, o poder, o conforto de ouvir um “eu também…”. Encontrar pessoas com diabetes tipo 1, como eu, foi (e continua sendo!) parte fundamental do meu tratamento: dividir os mesmos medos, as mesmas inseguranças, faz com que a gente se sinta mais forte, mais conectado.

Eleger um “anjo da guarda”, uma pessoa confiável, com quem você se sinta a vontade para dividir os sentimentos em relação à doença, pode melhorar a disciplina em relação ao tratamento e ajudar, muito, no controle glicêmico. Juntos, podemos ganhar força das nossas fraquezas. E se é verdade que doenças e emoções andam de mãos dadas, é bom ter alguém por perto para compartilhar as experiências.

Para mim, foi muito mais fácil aceitar a condição e começar, de fato, a me cuidar, quando comecei a ouvir “eu também”. Conhecer pessoas na mesma situação mostra que não estou sozinha, mostra alternativas quando eu acho que não aguento mais, mostra o caminho quando acho que não tem saída. “Eu também” faz com que eu acredite que vale a pena expor minha doença nas redes sociais.

Se você ainda não conhece esse poder mágico e transformador, sugiro que comece agora mesmo. Se ainda não conhece ninguém nas mesmas condições, associações podem ser o ponto de partida. Redes sociais e blogs também são ótimos lugares para trocar experiências. E eu estou aqui se quiser conversar!

Diabetes

Queria que vocês soubessem que, tão importante quanto a insulina, é o “eu também” de vocês: Tainá, Melissa, Mark, Ju, Luana, Kath, Bianca, Aline, Nicole, Pedro, Sheila, Claudia, Audrey, Natalia, Arthur, Marina, Bia, Bruna, Valeria, Ronaldo, Fred, e muitos outros mais: MUITO OBRIGADA por compartilharem. Estamos juntos!




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